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Analistas veem Congresso mais hostil a Dilma

29 OUT 2014 • POR Congresso em Foco • 09h04

Com a expectativa de um ano de arrocho na economia, na perspectiva de que a crise mundial ainda não estará superada, a presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita com 51,64% dos votos válidos no último domingo (26), terá como principal desafio a relação com a nova composição da Câmara dos Deputados. Dois dramas devem pautar a relação com o novo Congresso. O primeiro é conseguir impor a agenda de votações que interessa ao Executivo, com projetos importantes como, por exemplo, a ampliação da faixa de renda a ser beneficiada pelo programa Minha Casa, Minha Vida. O segundo desafio é assegurar a fidelidade da nova base aliada que desembarcará na Câmara.
Pesam contra a petista dois fatores. Um deles é a margem apertada pela qual foi reeleita, apenas 3,28% pontos percentuais em relação ao senador tucano Aécio Neves. A outra é o histórico de relação ruidosa com o Congresso Nacional em seu primeiro mandato, pautado pela alegada falta de diálogo – reclamação recorrente de congressistas, inclusive da base.
Diretor da Arko Consultoria e analista político, Lucas de Aragão lembra que a formação do novo Congresso, com 28 partidos, criaria dificuldades para qualquer presidente. “Para Dilma, deve ser um problemão conversar com os líderes partidários. Porque ela não tem paciência para fazer política, ficar recebendo os líderes, diferente do Aécio, que tem uma essência mais política”, analisa.
Dilma Rousseff terá uma base aliada de 304 deputados na próxima legislatura. Atualmente, a petista conta com 340 parlamentares da situação, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Em 2010, quando se elegeu pela primeira vez, Dilma chegou a ter uma base de 420 deputados. No Senado, os nove partidos que integraram a coligação encabeçada pela petista vão ocupar 53 das 81 cadeiras (65%). Além disso, as duas principais bancadas de sustentação – PT e PMDB – terão menos deputados no próximo ano.
“Mais do que criar base numérica, você precisa saber liderar. Por mais que o potencial da aliança de Dilma seja numericamente maior, pode não ser uma base leal, com adesão. Não podemos ficar muito presos aos números, mas 70% de apoio formal de Dilma neste primeiro mandato não se traduziu em lealdade. Foi o pior nível de fidelidade desde a gestão de Fernando Collor”, conta o analista, referindo-se ao período entre 1990 e 1992, quando Collor sofreu impeachment.
Aragão destaca que a atuação dos deputados a partir de fevereiro será ainda mais centrada no corporativismo, com o aumento das bancadas evangélica, militar e ruralista. “O que leva a crer que o novo Congresso será muito corporativista é o que pauta a maioria das decisões. Eles atuam em cima de interesses unificados e bem desenhados dentro do que o eleitor dele quer. Essas bancadas vão deixar o Congresso mais lento, o que pode atrasar a pauta do bem comum”, afirma Lucas.