Colombiano transforma tragédia de vida em aventura pela América Latina
17 OUT 2014 • POR Carlos Pires • 10h32O colombiano Dário Roa percorre há muitos anos toda a América Latina em busca de aventura, sempre guardando e colecionando em sua bagagem muitas recordações por onde tem passado. A reportagem do Diário do Estado foi até a Feira do Produtor onde o “El Andariego” (O Andarilho) como é conhecido internacionalmente, conferir a história deste ilustre visitante que está de passagem por Coxim.
Dário contou ao Diário do Estado que tudo começou quando ele perdeu toda sua família em uma tragédia com a erupção de um vulcão em sua terra natal, Armero, um pequeno vilarejo de Tolima, na Colômbia, quando ele tinha apenas 11 anos de idade. Desde então Dário saiu pelo mundo, percorrendo a Venezuela, Perú, Argentina, Panamá, Costa Rica, Chile, Equador, México, Brasil, além de outros países da América Latina.
Companheira inseparável destes quase 40 anos de aventura, sua ‘magrela’, tem um pouco de tudo. Faróis de carro, televisão, caixa de som e até uma cozinha improvisada. Também é decorada com bandeiras dos países por onde passou. Na bicicleta também tem espaço para recordações como bandeiras de times de futebol e inúmeros recortes de jornais nos quais ele é o protagonista da história.
A tragédia
A tragédia que deixou órfão Dario foi uma das maiores conseqüências naturais registradas pela erupção do vulcão Nevado Del Ruiz, que devastou totalmente o pequeno vilarejo de Tolima, fato este que se deu no dia 13 de novembro de 1985. O despertar do vulcão que estava em repouso durante 69 anos pegou todas as cidades próximas desprevenidas.
Na cidade natal do famoso “Andariego” residiam aproximadamente de 29 mi habitantes. Dário é uma das nove mil pessoas que conseguiram se salvar da catástrofe. Houve perdas também em outras cidades, em particular na cidade de Chinchiná, resultando em mais de 23 mil pessoas mortas com a erupção do vulcão.
Na época, os esforços de socorro foram dificultados pela composição da lama, o que tornou impossível andar pela região sem ficar preso no magma vulcânico. Os socorristas chegaram à cidade natal de Dário, 12 horas depois da erupção, quando muitas das vítimas já estavam mortas.
Testemunhos da época contaram que ficaram horrorizados com o cenário devastador de árvores caídas, corpos humanos desfigurados e pilhas de escombros do que restou das casas, sendo considerado o segundo maior desastre vulcânico do século 20, atrás apenas da erupção do Monte Pelée em 1902.
Coxim
O “Andariengo” com sua bicicleta toda equipada, a qual ele disse que nela leva mais de 150 quilos de bagagem necessita da ajuda das pessoas por onde passa para dar continuidade à sua viagem.
“Algumas pessoas ficam com medo por onde eu passo, porque não conhecem minha história de vida. Aqui no Brasil, tenho sido recebido muito bem pelas pessoas. Nesta cidade não foi diferente. O povo daqui é muito receptivo e atencioso o que justifica o dito popular de que bom mesmo á Coxim”, salientou sorrindo o colombiano.
Dário Roa finalizou contando que está vindo da Costa Rica e se prepara para seguir sua jornada de aventura por Mato Grosso do Sul até chegar à Argentina. Por onde passa, o “Andariengo” compartilha sua história de vida e ressalta que uma tragédia, por mais difícil que possa parecer, pode encorajar outras pessoas a seguirem seus destinos, mesmo que seja transformando a vida em uma constante aventura como a dele.
