No Dia dos Professores, docentes querem mais investimento em Educação
16 OUT 2014 • POR Carlos Pires • 09h26O ponto de partida para compreender a atuação do docente em sala de aula é a opinião sobre suas próprias práticas educativas. Os docentes das escolas públicas urbanas consideram-se preparados para dar boas aulas, opinião predominante entre grande maioria consultada pelo Diário do Estado, tanto em Coxim quanto na Região Norte.
Porém, uma boa parcela destes docentes considera que a formação inicial trouxe subsídios suficientes para a sua atuação em sala de aula. É interessante observar que os homens sentem-se menos preparados do que as mulheres, talvez pela predominância dos egressos de licenciaturas, que têm preparação menos específica para as questões diretamente vinculadas ao âmbito pedagógico.
O mesmo ocorre em relação à educação continuada. Cursos de extensão e atualização, embora sejam considerados positivos para a formação, têm aprovação de metade dos professores, no que diz respeito da adequação à realidade em sala de aula.
Do depoimento de um grande número de professores pode-se entender que, embora se sintam preparados em relação ao conteúdo das disciplinas, os educadores manifestam dificuldade no momento de ensinar, não conseguindo, muitas vezes, conquistar a atenção do aluno, o que remete às estratégias pedagógicas e às opções metodológicas.
Mais uma vez, observa-se uma maior satisfação com a própria qualificação entre aqueles que se dedicam à Educação Infantil, condição que diminui gradativamente até chegar aos professores do Ensino Médio. Diferenças também se notam quando se observam as opiniões por faixa etária, pois com o passar dos anos, a experiência adquirida em sala de aula contribui para que o professor esteja mais confortável com seu desempenho.
A maioria dos professores descreve um cotidiano no qual sua atuação não se resume apenas ao campo da didática, mas engloba um espectro mais amplo, no qual está incluído o enfrentamento de questões ligadas à convivência, ao comportamento e à formação de atitudes e valores.
A falta de disciplina de alguns alunos surge como uma das maiores queixas desses profissionais da educação, sendo apontada como um dos principais desafios em sala de aula. Para os professores, o aluno desmotivado demonstra pouco interesse em aprender e com isso cria problemas para os demais colegas e para a escola.
Dessa forma, a percepção dos professores reflete uma escola pública muito heterogênea, na qual convivem ao extremo com crianças, com famílias estáveis, pais escolarizados, ambos adaptados ao ambiente escolar e com projetos de educação de longo prazo, ao lado de alunos de comunidades em situação de risco, que nada mais são do que vítimas de mazelas sociais persistentes e sempre na iminência do fracasso escolar.
O professor moderno, mesmo pertencente à geração “passada”, é confrontado a reinventar-se todos os dias, com a missão de repassar o conhecimento dos livros – tão essenciais para o aprendizado – a um público altamente antenado na imagem em 3D, no som, no movimento, nas multitarefas, no dinamismo e na velocidade das informações. Ter fôlego para atender aos anseios ‘da clientela’ não é o problema maior se comparado à dificuldade em ter disponível tal infra-estrutura na rede pública, que ofereça condições deste ‘novo’ professor ensinar e educar frente a tanta modernidade. Aliás, o mínimo necessário, como salas decentes, telhado sem goteira, carteiras e cadeiras decentes, merenda de qualidade e materiais escolares ainda é uma realidade distante para muitas escolas brasileiras.
Todos os docentes querem um Brasil melhor para todos, não só na data em que se comemora o Dia dos Professores, mas todos os dias do ano letivo. Aliás, é preciso que cada docente seja melhor do que já é. Investir na formação do ser humano é, sem dúvida, um bom começo. Mas, investir na qualificação dos professores é melhor ainda, pois os resultados são altamente compensadores.
Ao som das vozes roucas que ecoam nas salas de aula e se misturam implorando por justiça social, segurança, o fim da corrupção, mais saúde, empregos, salários dignos e tantas outras reivindicações, vale lembrar que cada um de nós passou (ou pelo menos deveria passar) pelo berço da Educação e “pela mão que embala e governa o mundo”, priorizando e projetando o futuro do país através da geração que um dia comandará os destinos desta nação.
