Fé: Mãe que viu filha fugir da morte atribui vida a milagre
15 OUT 2014 • POR Carlos Pires/CG News • 08h08A cantora gospel Michele Giarola, de 27 anos, da Igreja Assembleia de Deus – Ministério Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, não imaginava que uma música gravada por ela há cerca de 10 anos pudesse fazer sentido tanto tempo depois. A letra da canção, que recebeu o nome de “Se você crer”, fala de milagre e de um Deus poderoso, que tem o controle da vida, que tudo faz acontecer e que, muitas vezes, não deixa explicações.
O início – Aos 6 meses e meio de gestação, a mãe teve a notícia, depois de uma crise de cólica e a realização de uma ultrassonografia, de que a placenta dela havia amadurecido antes do tempo e de que o líquido amniótico estava secando. Detalhe: dias antes, um pastor, durante oração, disse o que estava por vir. “Ele colocou as mãos sobre minha cabeça e começou a interceder pela minha placenta e falava: Senhor, guarda esse feto. Nós repreendemos, em nome de Jesus, toda destruição e o espírito da morte. Cuida dessa placenta e desse líquido amniótico”.
Nascimento - Um parto antes da hora, quando a cantora estava com pouco mais de 7 meses, foi solução que os médicos encontraram para não deixar a criança morrer dentro da barriga da mãe, mas o aviso veio junto: Se nascesse, a menina não sobreviveria porque não teria peso suficiente e estaria desnutrida. Mellina contrariou a medicina desde o início. Ela veio ao mundo, por uma cesárea de urgência, desnutrida, e pouco desenvolvida, pesando apenas 1,7 kg. Tinha o rosto torto e a feição sindrômica. A recém-nascida foi direto para UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Foi entubada, porque apresentou hipertensão pulmonar, que provoca insuficiência respiratória. No 2º dia de vida, depois de uma piora no quadro, mesmo com a ventilação mecânica, a equipe médica constatou que a bebê apresentava falência múltipla dos órgãos.
Desenganada - Na madrugada deste mesmo dia, sem sequer ter tocado a filha, Michelle foi convidada a se despedir dela porque a bebê já estava em coma, com insuficiência cardíaca e princípio de morte cerebral. Michelle se recorda de ainda ter agradecido o esforço da médica e, no desespero de mãe, citou a passagem bíblica que conta a história de Lázaro, o homem que ressuscitou após quatro dias. A mãe então orou fervorosamente ao lado da criança.
Alta da UTI - Naquela noite, Mellina surpreendeu mais uma vez. No 17ª dia, acordou do coma e começou a respirar sozinha, diz a cantora, que a pegou no colo, pela primeira vez, só no dia seguinte. De tão pequena e frágil, o banho era com copo descartável. Para receber alta da Unidade de Terapia Intensiva e ir para o quarto, a bebê precisou passar por uma bateria de exames, foi aí que descobriram um quadro ainda pior: Mellina tinha nascido com um cisto cerebral congênito e com uma artéria aberta no coração, que recebe o nome técnico de PCA (Persistência do Canal Arterial). Os dois casos eram cirúrgicos, mas a recém-nascida não tinha peso nem para suportar a sedação. Nessa época estava com 1,4 kg, e mais desnutrida Se fosse par o centro cirúrgico, morreria na mesa, mas se não operasse, a menina poderia desenvolver uma hidrocefalia. A situação complicou. A única saída foi se unir em uma corrente de orações. A mãe conta que muita gente de Campo Grande, Coxim, Maringá e Sarandi, foram se juntando, e orando pela criança.
Duas semanas em casa - Vinte um dias se passaram e Mellina pôde, enfim, ir para casa, com quase 40 dias de vida, mas a estadia ao lado dos pais durou duas semanas. ”Ela começou a mamar muito pouco. Não passava de 60 ml. Vomitava e tinha diarréia 24 horas por dia”. Mellina voltou para o hospital parar fica na sonda, soro e receber dieta parental, por uma veia do pescoço.
Primeira cirurgia - Com 7 meses, e 3,5 quilos, a criança foi submetida a uma endoscopia, exame que não pôde fazer antes por conta do baixo peso. O resultado trouxe outros dois problemas: obstrução intestinal e refluxo severo. Com 8 meses, Mellina passou pela primeira cirurgia. Corrigiu o problema do refluxo e a obstrução do intestino. A diarréia persistiu, mas a menina já não vomitava mais. Mas nauseava e, por isso desenvolveu uma hérnia. Com 11 meses foi novamente para a mesa de cirurgia.
O aniversário - Mellina continuou internada. A previsão é a de que ela fosse passar o primeiro aniversario dentro do hospital, a Santa Casa de Maringá (PR). Mas Michelle resolveu organizar “pela fé”, uma festa. Deu certo. Cinco dias antes da data, a menina recebeu alta e ouviu os parabéns ao lado dos pais, parentes e amigos. Mellina já pesava 8 quilos. Permanecia com a diarréia, mas o problema foi solucionado depois que um alergologista constatou que ela era intolerante a quase tudo. Nem suplemento podia tomar. A alimentação da filha passou a ser artesanal, a base de arroz, músculo e legumes.
O milagre - Michelle não parou de orar. A vitória, diz a mulher, veio depois de uma campanha de 7 semanas, realizada todas as quintas-feiras na igreja. “Depois da sexta semana Mellina já estava tomando iogurte e leite de soja. Não tinha mais reação. Acabou. Deus a curou de todas as intolerâncias”, conta a mãe. Seis meses depois a menina passou por uma série de exames de rotina. Os resultados surpreenderam a todos.
Hoje, Mellina é uma criança normal, que come de tudo, brinca e não para quieta. Não restam dúvidas. Para a cantora e para os médicos que acompanharam a criança, trata-se de um milagre.
O milagre de Mellina é, sem dúvidas, um exemplo vivo do poder divino. “Apesar de eu ser cristã, evangélica, talvez não confiasse tanto assim. Eu sempre cantei e profetizei milagre na vida das pessoas, mas nunca tinha vivido um e a gente tem que pregar e cantar o que vive. Então acho que Deus me fez viver um milagre para hoje eu saber o que estou profetizando. Hoje eu sei. Hoje sei o que estou cantando porque vivi isso”, finalizou a mãe. (Carlos Pires/CG News)
