Marin, ex-presidente da CBF, vai a julgamento nos EUA
7 NOV 2017 • POR • 15h51Dois anos e meio depois da prisão de sete dirigentes do futebol em Zurique, o julgamento dos únicos três acusados e detidos nos Estados Unidos, poderosos cartolas sul-americanos, começou com a seleção dos jurados nesta segunda-feira (6/11), em Nova York. São eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin (85 anos), o paraguaio Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e antigo vice-presidente da Fifa (59), e Manuel Burga, ex-presidente do futebol peruano (63). Julgamento de Marin pode respingar em mais dois presidentes da CBF, o atual, Marco Polo Del Nero, e o ex, Ricardo Teixeira. Os dois também são investigados pela Justiça dos EUA.
Os três acusados, que começam a ser julgados pela Corte americana, cumprem prisão domiciliar há mais de dois anos, desde que foram detidos no início da investigação do governo americano que sacudiu o futebol mundial e derrubou o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter. Nenhum deles deu declarações à corte nem à imprensa.
Na porta do tribunal, dois brasileiros disseram ter viajado para Nova York especialmente para acompanhar o julgamento. Ambos levaram cartazes com os dizeres “EUA, nos ajudem a prender os corruptos brasileiros de nosso governo no futebol. Cadeia neles”. Um dos manifestantes é Moises Campos, 62 anos, militar e ex-chefe de segurança da CBF na gestão de Ricardo Teixeira (de 1989 a 2012). Moises comandou o esquema de segurança na conquista do tetra na Copa de 94 nos Estados Unidos. Na volta da delegação ao Brasil estourou o “escândalo da muamba” na Alfândega do Rio.
A procuradoria dos EUA acusa Marin, Napout e Burga de negociarem contratos de televisão e marketing em jogos eliminatórios para as Copas do Mundo e outros torneios, em troca de subornos que eram pagos por meio de malas cheias de dinheiro ou complicados esquemas bancários.
Os três enfrentam acusações de associação para delinquir, fraude bancária, lavagem de dinheiro e por integrar uma organização criminosa, entre outros delitos.
