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Boatos do WhatsApp já provocaram linchamento e destruíram injustamente reputação de empresas
Com 120 milhões de usuários no Brasil, o zap é o aplicativo mais popular do país. E, por isso, é onde as mentiras têm consequências mais devastadoras.

Buzzfeed Brasil              19/05/2017    18h12

 

A onipresença do WhatsApp no Brasil, com seus aproximadamente 120 milhões de usuários no país, faz com que a disseminação de mentiras pelo aplicativo tenha um impacto enorme. Pessoas foram espancadas, empresas perderam dinheiro e em vários episódios a desinformação prevaleceu.

Mesmo assim, não se sabe o tamanho exato dos boatos de WhatsApp. Enquanto a circulação de notícias falsas em redes sociais, como o Facebook e o Twitter, é facilmente calculável, mentiras que circulam pelo WhatsApp e outros aplicativos de mensagem são impossíveis de quantificar.

No final de março, a cidade de Araruama — a maior da Região dos Lagos fluminense, com 110 mil habitantes — foi palco de um caso muito representativo de como boatos de WhatsApp afetam diretamente a vida das pessoas.

A mentira era a seguinte: um casal formado por uma mulher jovem e um homem mais velho estava sequestrando crianças na região para vendê-las como parte de esquema internacional.

A boataria não teve maiores consequências até o dia 5 de abril, quando uma mulher de 20 anos e um homem de 60 foram fotografados por um estranho dentro do carro dele e identificados — sem fundamento algum — como os golpistas que sequestram crianças.

Em questão de horas, uma turba ensandecida encontrou o suposto casal e tratou de buscar justiça popular. Ambos foram espancados, e o carro de Luiz Aurélio, um Escort 1989 branco, foi incendiado.

Assim como as vítimas foram perseguidas, também foram salvas — por acaso. Uma amiga reconheceu a vendedora e, no mesmo momento, guardas municipais de Araruama interviram. "Foi Deus", disse a vítima Pâmella Martins, que estava acompanhada de um colega de trabalho, Luiz Aurélio de Paula.

Desde o ocorrido, Pâmella não usa mais o WhatsApp.

Ela passou a fazer parte da minoria: pesquisas independentes indicam que entre 80% e 92% dos brasileiros conectados à internet utilizam o serviço. Hoje, o WhatsApp é o principal app de mensagens do mundo, com 1,2 bilhão de usuários, dos quais aproximadamente 10% (120 milhões) estão no Brasil.

Em outras palavras, os boatos têm potencial para atingir muita gente.

Segundo pesquisa do Datafolha sobre os hábitos e opiniões do brasileiro em relação ao WhatsApp, encomendada pela própria empresa de tecnologia, 53% dizem compartilhar "piadas, memes e coisas engraçadas" e 35% afirmam enviar "notícias, textos de jornais, revistas e outros meios" — categorias em que a maior parte dos boatos se encaixaria.

O instituto de pesquisa entrevistou 2.363 pessoas em 130 municípios brasileiros; a margem de erro é de dois pontos percentuais.

O colchão satânico

Foi isso que aconteceu com Mário Gazin, dono da fábrica de colchões que leva seu sobrenome, que teve um pedido de 1 milhão de peças cancelado após uma mentira chegar aos ouvidos de muita gente.

Um áudio anônimo começou a ser compartilhado, dando conta de que o dono da Colchões Gazin havia feito um pacto com Satanás para vender mais colchões.

O boato contra Gazin incluía "provas": de acordo com fotos e vídeos compartilhados, os colchões da marca tinham "terra de cemitério" dentro deles — o que seria uma forma de selar o pacto entre o mundo terreno e o mundo subterrâneo.

O problema já era perceptível entre os vendedores, mas o cancelamento da encomenda de 1 milhão de colchões foi a gota d'água. "Foi aí então que fui atrás, achei de onde começou [o boato]", explica Mário Gazin, que gravou um vídeo para desmentir a história mais ou menos três meses após ela começar a circular, em outubro de 2015. 

O vídeo-explicação original, publicado no Facebook, teve 3 milhões de visualizações. O saldo até que foi positivo, diz Mário: "Ajudou muito e também fortaleceu nossa marca em alguns Estados até então fracos em nossa atuação."

Mentiras que têm apelo para uma grande parcela da população são as que têm maior potencial de dano, por motivos óbvios.

Foi o que aconteceu às vésperas da eleição presidencial de 2014, quando surgiu o boato de que o doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato, havia sido morto na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

A mentira correu solta até que uma foto do doleiro registrada por um parente, no hospital, foi publicada em órgãos de imprensa. Youssef sentiu um mal estar na carceragem, mas havia sido medicado e passava bem.

Outras informações falsas de grande apelo, mas com menos detalhes, também já circularam com força no WhatsApp de brasileiros.

É como o boato de que o Hospital Sírio-Libanês, um dos principais do país, teria desenvolvido uma vacina para câncer de pele e nos rins. O próprio hospital veio a público negar o texto que circulou no WhatsApp.

A pesquisa existe, mas seus resultados "mostram um grau de atividade limitado, beneficiando temporariamente apenas um pequeno número de pacientes. Até o presente momento não há qualquer evidência de cura que possa ser atribuída a estas vacinas", diz o texto divulgado pelo Sírio-Libanês.

"Esse tipo de boato sempre teve, só que agora ele é mais rápido", diz o infectologista Marcos Boulos, conselheiro e diretor de comunicação do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo).

"Já me perguntaram sobre várias vacinas que não existem", afirmou Boulos. "Tive pacientes que trouxeram esses boatos como uma possibilidade de tratamento diferente do que recebem", concluiu.

Mesmo com a vida de tanta gente sendo afetada diariamente por mentiras que circulam no WhatsApp, são raros os casos em que o responsável é punido.

Pâmella, a moça espancada em Araruama, admite que dificilmente as pessoas que bateram nela e em Luiz Aurélio serão responsabilizadas. O desejo dela é que, pelo menos, quem inventou o boato responda na Justiça.

O post que deu origem à confusão, no entanto, foi apagado, assim como o próprio Facebook da mãe que espalhou a foto do carro. A polícia tenta identificar outra pessoa envolvida, um homem que gravou um áudio corroborando a versão falsa.

Se Pâmella desistiu do WhatsApp, a Gazin, por sua vez, passou a ter atendimento pelo aplicativo — os vendedores tiram dúvidas e podem até vender peças por lá. "Não imaginava a repercussão que iria virar", diz Mário, meses após controlar o boato.

O infectologista Boulos, por sua vez, faz um único diagnóstico do problema: "Enquanto o WhatsApp for dessa maneira, cada um fala a bobagem que quiser".

 


   
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