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Suicídio, quando ecoa o pedido de socorro
É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

Danielle da Silva              10/05/2017    12h29

 

Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.

Existe uma falsa crença de que ansiedade e depressão são sinais de fraqueza e da incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos NÃO está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros. Tampouco são consequências de escolhas pessoais. Não podemos decidir se queremos ou não que essas condições nos acompanhem.

É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

Por isso dado que a depressão e ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razão para chorar”, “comece a amadurecer”, “é vida que segue”, “levanta a cabeça”, etc.

São comuns, não é verdade? De fato, é provável que em algum momento tenhamos sido vítimas ou até proferido este tipo de discurso.

Por isso é fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece. Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou por uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional.

Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas. Ou seja, devemos consultar um psicólogo que nos ajude e nos proporcione estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão.

A jornalista Danielle Santos conversou com a psicóloga Rosangela Garcia, especialista em Terapia Cognitiva, para que pudéssemos entender um pouco sobre a depressão, muitas vezes desencadeada pela ansiedade. A especialista classifica a ansiedade como o mal do século, e é o que leva a depressão. Segundo Rosângela, existem dois tipos de depressão: A endógena – quando falta uma substância chamada ‘Serotonina’ no organismo, sendo preciso ingerir medicamento que vai fazer a produção dessa substância. Não precisa ter acontecido nada exteriormente pra que a pessoa fique deprimida. E a depressão exógena – que desencadeia quando acontece alguma coisa ruim, e as pessoas vão selecionando esses acontecimentos ruins que acontecem com elas, e as coisas neutras, as coisas boas, elas acabam não prestando atenção.

“O indivíduo vai formando crenças negativas em relação a vida dele, o que vai fazendo com que cada vez mais ele fique com a autoestima baixa, cada vez mais inseguro, cada vez mais improdutivo, e algumas coisas negativas que acontece no cotidiano dessa pessoa, se confirma por conta do comportamento, o que chamamos de profecia auto-realizante”.

Outra pontuação feita pela psicóloga é que, a pessoa precisa ‘se conhecer’, entender como ela pensa, como ela interpreta, não é o que acontece com a gente que nos faz ficar triste, é como a gente entende isso. E quando falta a serotonina no organismo, a pessoa fica muito mais vulnerável. 

Sobre o que leva ao suicídio
Rosangela Garcia explica que o que mais leva a pessoa a atentar contra sua vida, não é a doença depressão, é o problema, o sintoma de um transtorno. Nesse caso o médico psiquiatra é indispensável, nenhum outro médico o substitui. É esse especialista que tem todo o conhecimento sobre tipo de transtorno de personalidade, quais comportamentos que a pessoa tem, que se enquadra em qual tipo de transtorno. Porque a depressão passa a ser um sintoma e não uma doença.

“Existe a depressão doença, a depressão que vem da ansiedade. Nós estamos em um mundo, onde tudo acontece muito rápido, a globalização, a internet, tudo acontece ao mesmo tempo, onde nós temos a obrigação de sermos vencedores, e muitas vezes acabamos passando isso para nossos filhos, de sermos destaque e a concorrência é muito grande. Então a ansiedade em cima disso, da sobrevivência, do destaque, do sucesso, e a expectativa que se cria sobre si mesmo, ela é tão real, que a pessoa começa a ser mais do que ela pode, mais do que você tem pra dar. Aí vem as comparações com pessoas que estão mais preparadas, e a pessoa não percebe que está fazendo uma comparação injusta. Aí vem uma série de erros, de pensamentos cognitivos, que vão comprovando que você é um fracasso, que você não consegue. Ela não enxerga que ela tem o limite dela, que teve a cultura dela, que a educação que ela teve foi diferente, mas ela quer concorrer, ela quer se destacar, aí se frustra, criando expectativas de si e muitas vezes expectativa dos outros”.

A ansiedade é quando você quer prever o futuro, e aquilo que a pessoa espera, não acontece. Aí vem uma frustração, outra frustração, que vai levando ela acreditar que é incapaz, ou inadequada, “não são tão bom quanto”, “não pertenço a esse meio”, ou que ela não seja amada, acha que não consegue ter um relacionamento porque não merece o amor de ninguém e assim vai. A pessoa começa a se martirizar sobre esses problemas, achando que a vida dela não tem solução… E o motivo que leva ao suicídio é a falta de esperança…
“Se eu não vejo uma luz no fim do túnel, como é que eu vou resolver. Mas a pessoa que atenta ou quer atentar contra a vida, ela não quer morrer, ela quer acabar com o problema, aí na cabeça dela, a saída é a morte”.

Quem comete suicídio dá sinais o tempo todo
A especialista explica que os principais sinais estão no comportamento, como por exemplo, sair com os amigos, fazer um simples programa familiar, coisas que dão prazer, a pessoa começa a deixar de fazer isso. Outros sinais que temos que nos atentar são para os verbais.

“Nós que estamos de fora, vemos os sinais como desabafos: ‘eu não aguento mais’, ‘estou de saco cheio’, ‘eu vou sumir’, ‘quero desaparecer’, ‘a vida não tem mais sentido pra mim’, ‘quero dormir e não acordar nunca mais’, ‘quero tomar um remédio e ficar meses dormindo e quando eu acordar, tudo ter passado’. Temos que estar atentos e não levar como um simples desabafo”.
A pessoa antes de cometer suicídio ela deprime, porque nada dá certo, e isso toma conta dela, que ela nem percebe o que deu certo, e o que acaba dando errado ‘ela confirma’. E isso vai deixando a pessoa cada vez mais frustrada, se sentindo incapaz e acaba cometendo o suicídio, para dar uma ‘solução’ para o problema.É uma situação de desespero, muitas vezes relacionadas a um transtorno mental…
“Precisamos entender que o transtorno mental não é frescura, não é bobagem e que o suicídio realmente pode ser evitado, que existem medicações que podem ajudar na depressão e outros fatores que aumentam a chance de uma pessoa se suicidar”.

A importância da ajuda profissional
Rosangela reforça que casos de pessoas que passam pelo problema e procuram ajuda profissional, tem índice relativamente baixo de suicídio, apesar de todo o sofrimento que envolve os pacientes.

“Entender que a vontade de se matar é uma questão de saúde, é importante para que a pessoas busquem ajuda. Se elas estão bem informadas em relação ao que é o suicídio, elas conseguem entender e aí se informar sobre como buscar ajuda”.

Diante disso, a psicóloga menciona que os profissionais de saúde conseguem fazer uso de diversos dispositivos que praticamente impedem a pessoa de cometer o suicídio. Outra ajuda importante é a espiritual. Não importa sua religião, mas as igrejas de Aquidauana e Anastácio oferecem ajuda para quem está disposto a vencer a depressão. Em Aquidauana, a Igreja Avivamento de Deus tem grupos de ajuda e cultos motivadores, é só chegar, participar e não ter vergonha de procurar a Pastora Márcia e relatar seu problema, ela e os fiéis da Avivamento estão pronto a dar uma palavra de fé, uma palavra amiga e junto com você, vencer essa depressão. A Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, conhecida como Igreja Matriz também tem uma equipe jovem, liderada pelo Padre Sérgio, cheios de boa vontade e com muitas atividades e encontros de encher os olhos de esperança. 

(A psicóloga Rosangela Garcia, entrevistada é formada pela Universidade Católica Dom Bosco, com especialização em Terapia Cognitiva para adolescentes e adultos, pelo ITC de São Paulo e atende às segundas e sextas-feiras em Aquidauana. Para maiores informações, pode entrar em contato com a profissional pelo telefone (67) 9983-3779.)


   
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