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Currículo de Direito deve mudar para aproximar faculdade dos escritórios
Graduação mais procurada do país, o curso de Direito deverá passar pelas mudanças mais significativas em 14 anos

Veja               04/07/2018    08h16
foto: Ilustrativa

Graduação mais procurada do país, o curso de Direito deverá passar pelas mudanças mais significativas em 14 anos. O Conselho Nacional de Educação (CNE) vai propor modernizar os currículos da graduação para adaptar o que se ensina ao que se vê no cotidiano dos escritórios de advocacia e às diversas realidades regionais. A expectativa é de concluir essa discussão até setembro, após quatro anos de debates.
Números do Ministério da Educação (MEC) mostram que, de 2004 a 2016 (último com dados disponíveis), o total de graduações em Direito cresceu 49%. Já a oferta de vagas aumentou 61% no período. A nova proposta mantém a carga horária mínima de 3,7 mil horas, espalhada por cinco anos. Cerca de 50% da carga poderá ser formada por disciplinas optativas, “a fim de que se possa garantir um aprendizado capaz de enfrentar os problemas e desafios impostos pelo constante processo de inovação pelo qual passa o mundo”, diz o texto da proposta.
“A atuação esperada do profissional do Direito mudou, queremos estimular e ampliar o contato desses alunos com os futuros empregadores, com os desafios que vão encontrar na profissão. Não será um curso voltado para o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)”, diz Luiz Roberto Curi, que preside a comissão do CNE que estuda as mudanças.
Foi a própria OAB quem sugeriu mudanças nas diretrizes em 2013, pela preocupação com a qualidade dos cursos que proliferavam pelo país. “O MEC autorizou a abertura de centenas de cursos, sem que houvesse garantia de qualidade e real demanda por essas vagas. Havia preocupação, que se agravou nos últimos anos, com a qualidade do ensino, já que no exame da Ordem não conseguimos aprovar mais do que 20% dos inscritos”, diz Marisvaldo Cortez, presidente da Comissão de Educação Jurídica da OAB. Com a expansão acelerada de novos cursos, Cortez avalia que indicar às instituições a elaboração de currículos mais diversificados pode ajudar a “desafogar” o mercado de trabalho. “Temos quase 1,2 mil cursos de Direito, todos com praticamente o mesmo currículo, sem adotar novas metodologias de ensino e sem pensar os novos desafios da profissão. Podem criar disciplinas, mais inovadoras. Hoje, por exemplo, não temos matéria sobre Direito Eleitoral, que é um campo importantíssimo.”

 


   
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